
Certa vez me perguntaram se eu havia conhecido Carlos Gomes... Pode uma coisa dessas?
É claro que não o conheci mas mesmo assim me lembro com muito carinho do primeiro encontro com sua obra, nos anos 50, quando cantava na Rádio Gazeta ao lado de grandes entusiastas de seu trabalho, como o maestro Armando Belardi. O fascínio daquele contato , nos anos seguintes, transformaria-se em uma relação profunda, que marcaria toda a minha vida profissional, como cantora, pesquisadora e professora. Sinto-me, portanto, honrada em presidir o prêmio que leva seu nome, reencontrando assim um amigo de longa data. E me parece justo que seja ele, com sua obra riquíssima, o patrono dessa premiação – uma premiação que tem como objetivo valorizar o trabalho do artista brasileiro, esse herói que, como Carlos Gomes já havia feito em sua época, luta contra muitas adversidades para manter vivo o prazer de fazer música. É nossa esperança que, em seu nome, esse prêmio possa ajudar a consolidar a vida musical deste país, para que o esquecimento e o descaso com que a obra de Carlos Gomes precisou lidar deixem de fazer parte da realidade de nossos músicos.