XIV -PRÊMIO CARLOS GOMES DE ÓPERA & MÚSICA ERUDITA

O Prêmio Carlos Gomes

Para que exatamente serve um prêmio? Exemplos mundo afora oferecem muitas respostas. De um lado, pode-se querer honrar alguém, concedendo, em seu nome, gratificações a membros dos mais diversos setores; de outro, há simplesmente a busca por estimular e compensar alguém ou algum setor, financeiramente ou em termos de prestígio e reconhecimento; e por que não usar um prêmio como chamariz, uma celebração – ou busca por perpetuação – de um momento histórico, de uma atividade específica, de determinada indústria? Foi com um pouco de cada um desses objetivos que, em 1996, surgia o Prêmio Carlos Gomes.

Desde o primeiro instante, um mesmo credo foi repetido: a premiação surgia para homenagear, em primeiro lugar, um dos maiores artistas da história do país, o compositor Carlos Gomes; em segundo lugar, para honrar músicos e personalidades que lutavam por sua arte em um contexto muitas vezes pouco receptivo, o mesmo meio que, guardadas as devidas proporções, havia feito com que Carlos Gomes morresse praticamente na miséria em seu país, após uma carreira de prestígio na Itália. Ao mesmo tempo, com a escolha dos melhores da música erudita e ópera brasileiras, esperava-se criar um universo de referências para o setor, consolidando seu vigor tanto internamente como perante a vida cultural mais ampla do país.

Um prêmio que pretendia transformar uma realidade adversa precisava, antes de mais nada, conseguir sobreviver em meio a ela. A trajetória do Carlos Gomes, nesse sentido, foi marcada por alguns acidentes, entre eles a luta por patrocínio ou a busca, ano a ano, por critérios bem definidos de premiação, o que em alguns momentos gerou debate acalorado. Ao mesmo tempo, porém, o Prêmio Carlos Gomes corrigiu injustiças, premiou artistas que, possivelmente, seriam enterrados pela ação do tempo e do descaso; revelou jovens talentos; deflagrou e consolidou carreiras; acompanhou a descentralização da produção, fenômeno mais marcante dos últimos anos de atividade musical no país; discutiu a importância da memória na construção de uma tradição musical; e sinalizou o desejo de profissionais, críticos e especialistas, de encontrar no mercado musical uma coerência de talento e iniciativas. Não foi pouca coisa.

No final das contas, o saldo de dez edições revela um universo de premiados que, uma pesquisa na programação dos últimos anos mostra, estiveram entre aqueles artistas que mais contribuíram com idéias e projetos para a música brasileira. Se estendermos o olhar para a lista de indicados, a percepção se confirma mais. Levando em consideração os ventos e ventanias do mercado, da economia e da vida política, o saldo é positivo. Mais do que isso. Em seus acertos e erros, triunfos e dificuldades, de alguma maneira o Prêmio Carlos Gomes conseguiu ser um microcosmo da realidade da música brasileira na última década. Lembrar sua história é entender de onde viemos. Acreditar em sua continuidade é apostar no talento de um setor que, apesar de todas as adversidades, cresceu.

PRÊMIO CARLOS GOMES DE ÓPERA & MÚSICA ERUDITA - ALGOL EDITORA LTDA - © Copyright - 2009
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